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Construtor de receitas

Mexa nos controles e veja para onde a extração vai. Não existe receita mágica. O que existe é entender o que cada coisa faz com a sua xícara.

Bancada

Método
Filtro
Torra
20 g
1:17
95 °C
560 µm
Textura

como areia fina

Despejos
Turbulência

O que você mudou

  • Nada ainda. Esta é a receita recomendada.
Escolha o porta-filtro. A forma dele decide a velocidade da água, e com ela a moagem que você vai precisar. Abra a ajuda ao lado do rótulo para comparar os seis. Escolha o material do filtro. Ele decide entre xícara limpa e xícara encorpada. Abra a ajuda ao lado do rótulo para comparar papel, pano e inox. Escolha a torra do seu café. Clara custa mais para soltar, escura solta fácil demais. Abra a ajuda ao lado do rótulo para ver a faixa de temperatura de cada uma. Quanto pó vai no filtro. A proporção calcula a água em cima disso. Quantos gramas de água para cada grama de café. No coado, mais água tira mais do grão e ao mesmo tempo dilui a bebida. Água mais quente dissolve mais fácil e escorre mais rápido. Ela mexe na velocidade, não no gosto. Quanto mais fino, mais superfície o pó oferece para a água e mais ele segura a passagem. Extrai mais e demora mais. Em quantas vezes você divide a água. Menos despejos escorrem mais rápido, mais despejos compactam o pó e seguram por mais tempo. O quanto o seu despejo revolve o pó, entre despejar de perto e devagar ou de longe e forte. Quanto mais mexe, mais extrai.

Equilibrado

A extração está na faixa e a força também. Daqui pra frente quem manda é o seu paladar.

Extração

20,0%

Força (TDS)

1,33%

Tempo alvo

2:45

Isto é estimativa, não medição. Só um refratômetro sabe a sua extração de verdade, e no fim quem decide é o seu paladar.

Como deve chegar

Acidez
54
Doçura
81
Amargor
43
Corpo
50
Clareza
82

Ficha da receita

O que levar para a cozinha.

Café
20 g
Água
340 ml
Temperatura
95 °C
Moagem
Média-fina
Hidratação
45s · 60 g
Despejos
3

Cronômetro

0:00 de 2:45

O cronômetro roda de verdade: aperte quando a primeira água tocar o pó.

  1. 0:00 Hidratação +60 → 60 g
  2. 0:45 Despejo 2 +140 → 200 g
  3. 1:28 Despejo 3 +140 → 340 g
  4. 2:45 Fim da drenagem

Café é ciência

Boa parte do que se repete sobre extração é regra de bolso, passada de boca em boca. Os seis pontos abaixo foram medidos em laboratório, e alguns deles contrariam o que muito barista ainda ensina.

Extração e força são coisas diferentes

Extração é quanto do pó foi dissolvido. Força é o quanto disso está concentrado na xícara. Um café pode estar bem extraído e aguado, ou mal extraído e forte. Boa parte das discussões sobre receita dá errado porque mistura as duas.

Café mais forte é menos doce

Parece contraintuitivo, mas foi o que apareceu em painel treinado, em todas as torras testadas: quanto mais concentrada a bebida, menos doçura os provadores percebem. Se você quer um café mais doce, ajuste a extração, não a dose.

Temperatura muda a velocidade, não o sabor

Cafés feitos a 87, 90 e 93 °C, com moagem e tempo ajustados para chegar à mesma extração e à mesma força, saíram indistinguíveis para um painel treinado. A água quente importa porque extrai mais rápido, e é só por esse caminho que ela chega ao sabor.

Na prensa, a proporção decide quase tudo

Com o pó submerso, a extração caminha até um ponto de equilíbrio e para ali, mesmo que você moa mais fino ou use água mais quente. De 1:2 a 1:25, ela ficou perto de 21%. O que a proporção muda de verdade é a força.

Nenhum moedor entrega um tamanho só

Todo moedor entrega uma mistura: partículas grandes mais uma nuvem de pó muito fino, de 25 a 50 micrômetros, mais ou menos o tamanho de uma célula do grão. Esse pó fino extrai muito mais rápido que o resto. É por isso que dois moedores no mesmo número fazem cafés diferentes.

A faixa ideal é mais larga do que dizem

O retângulo de 18 a 22% vem de um estudo dos anos 1950 e virou regra. Quando testaram com consumidores de verdade, a preferência se espalhou bem além dele, e não em um ponto só: apareceram grupos com gostos distintos. Use a faixa como ponto de partida, não como gabarito.